"Ainda ontem à noite eu te disse que era preciso tecer...
Ontem à noite disseste que não era difícil...disseste um pouco irônica que bastava começar, que no começo era só fingir e logo depois, não muito depois, o fingimento passava a ser verdade, então a gente ia até o fundo do fundo...eu não sabia até quando conseguiria disfarçar...e eu precisava tecer todos os dias os meus dias inteiros e inventar meus encontros e minhas alegrias e forjar esperas e me cercar de bruxos anjos profetas e que naquele momento eu achava que não conseguiria mais continuar tecendo inventos...
Eu disse que achava bonito e difícil ser um tecelão de inventos cotidianos...
E acho que não nos dissemos mais nada, e dissemos outra vez tudo aquilo que já havíamos dito e diríamos outras e outras vezes...
Já não era mais o dia de ontem, mas conseguíramos sentir que quem não nascer de novo já era no Reino dos Céus...
Ouvi tua voz perguntando lenta se eu ia continuar tecendo...mas perguntaste novamente se eu estava disposto a continuar tecendo — e então eu disse que sim, que estava disposto, que eu teceria.
Que eu teço..."
(Trechos de "O dia de ontem" CFA, adaptado - sempre se adaptando...)

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