É difícil a gente se acostumar com pouco depois de conhecer a sensação de ter muito... é difícil teer menos depois que se conhece a sensação de ter o mais, o muito mais, o maior que tudo... E isso não se aplica somente a receber (afinal, para que a gente possa buscar justiça a gente não pode partir de uma injustiça...) E, sendo assim...admito ter parte nisso e que, se hoje o que era mais; tão mais; tão grande;tão maior do que qualquer coisa, se transformou em algo tão menos...eu conheço muito bem a sensação dolorida de se constatar tão triste realidade... E mais, sei o quanto pesa a culpa... sei o peso da ação e da omissão que se praticou diante da brisa enquanto se formava o furacão...
Mas, maior do que qualquer peso e culpa, é o vazio... O vazio de cada abraço que eu não tenho; de cada momento em que a cabeça pesa e eu não tenho o teu ombro pra escorar; de cada vez que a minha mão, ao buscar outra, não encontra nada além do que a constatação desse vazio...de cada sorriso que eu não divido; de cada momento de raiva que não há quem me acalme; das noites em que o boa noite, especial fica guardado; das manhãs sem aquele "Bom dia"; de cada frase guardada numa coleção que é a coisa mais “cheia de vazio” que eu já tive na vida.. porque cada uma que passa a fazer parte dela, é sinal de quem um momento, um registro, se perdeu...porque (de diversas formas) você não está comigo para que eu possa, imediatamente, compartilhá-las... da imensidão que separa tudo entre nós ultimamente...
E não há o que não se perca dentro de tanto espaço...que ele tem o tamanho e o formato de algo que parece ter mudado de tamanho e se “deformado”, a ponto de, ao invés de substituir esse espaço, esse vazio, acabou se perdendo dentro dele...
Daí eu chamo atenção pra uma coisa: perder não é o mesmo que acabar...Na verdade, eu acho que perder pode ser bem pior do que ver acabar...pois, de repente, a gente se vê sem... porque se a gente vê algo acabando e permite com que acabe, é porque a gente não tinha interesse em preservar...tanto fazia acabar ou não, ou ainda pior...poderia passar pelas nossas cabeças o triste pensamento “tava mesmo na hora...”.
Perder, no entanto, é súbito, inesperado...assusta e causa uma terrível sensação de impotência...porque você ainda queria aquilo, mas só o seu querer (independente do tamanho dele) não foi suficiente para que fôssemos diligentes ao ponto de evitar a perda... a gente não viu...talvez tenha até sentido um pouco na hora, mas pensou ser apenas uma impressão... E quando a gente menos espera, se dá conta...sente a falta...que passa a ser tanta...Mas, é tarde...depois de perdido, tá feito... E ainda nos resta aquela esperança de que o outro tenha evitado a perda (sim...a gente sempre espera que o outro seja o “tapa buraco” das nossas falhas...)...a gente se descuida esperando que o outro seja mais atento, cuidadoso...esperamos então o momento de chegar até o outro e perguntar sobre aquilo, que era seu, que era nosso...que você não cuidou e o outro nem notou... e, de repente, escapou de quatro mãos..
Perder, no entanto, é súbito, inesperado...assusta e causa uma terrível sensação de impotência...porque você ainda queria aquilo, mas só o seu querer (independente do tamanho dele) não foi suficiente para que fôssemos diligentes ao ponto de evitar a perda... a gente não viu...talvez tenha até sentido um pouco na hora, mas pensou ser apenas uma impressão... E quando a gente menos espera, se dá conta...sente a falta...que passa a ser tanta...Mas, é tarde...depois de perdido, tá feito... E ainda nos resta aquela esperança de que o outro tenha evitado a perda (sim...a gente sempre espera que o outro seja o “tapa buraco” das nossas falhas...)...a gente se descuida esperando que o outro seja mais atento, cuidadoso...esperamos então o momento de chegar até o outro e perguntar sobre aquilo, que era seu, que era nosso...que você não cuidou e o outro nem notou... e, de repente, escapou de quatro mãos..
É... mas o outro é tão humano quanto você...e pode ter cometido os mesmos erros ou outros, mas que acabaram resultando na mesma coisa: aquilo foi ficando...e a gente foi partindo...quando nos demos conta, era tarde... E ainda que a gente consiga outras coisas da mesma natureza daquela, não há jeito... seu lugar estará sempre ali e sempre será seu... um lugar cheio de um vazio que nunca há de ser preenchido...um lugar “vago” que, depois de um tempo, você passa a nem olhar mais pra ele pra evitar a dor que a falta possa lhe causar...mas o esquecimento nunca será completo...e continuará ali sendo um (grande) vazio... A não ser que a gente dê a imensa e rara sorte de reencontrar aquela coisa tão única que, na medida certa, é capaz de preenchê-lo...
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